Você joga com as mesmas cordas poly há meses. Não arrebentaram, então estão boas, certo? Mas ultimamente as bolas voam longas e seu braço está começando a doer. São as cordas ou sua técnica? A resposta — quase certamente são as cordas. Cordas de poliéster não arrebentam; elas "morrem (go dead)". Este artigo explica a ciência por trás disso e quando exatamente você deve trocá-las.
Cordas poly novas (esquerda) vs cordas poly mortas (direita). Desgaste superficial e entalhes sinalizam perda de desempenho.
Por que as cordas poly "morrem"?
A perda de elasticidade nas cordas de poliéster é um fenômeno bem documentado chamado fluência (creep). Sob tensão constante, as cadeias poliméricas do poliéster sofrem deformação permanente, perdendo a capacidade de retornar à forma original. (Rod Cross, University of Sydney)
Para simplificar: Puxe um elástico novo e ele volta na hora. Mas deixe esticado por uma semana e ele fica frouxo. O mesmo acontece com as cordas poly sob tensão dentro do quadro da raquete — e o processo começa em questão de horas.
Veja a velocidade do processo:
| Tempo decorrido | Perda de tensão | Fonte |
| 1 minuto após o encordoamento | Até 15 lbs | TWU, Crawford Lindsey (2013) |
| Primeiras 20 batidas | Até 20 lbs | Medições em máquina de teste TWU |
| 15 min após a fixação | ~14% (28 → 24 kg) | Cross & Bower 2001, náilon |
| Após três dias | ~22% (28 → 21,9 kg) | Cross & Bower 2001, náilon |
A tensão continua caindo depois disso. De acordo com a pesquisa do TWU, a taxa de perda é mais rápida no início e depois desacelera gradualmente, mas a perda acumulada se torna significativa ao longo do tempo. Cordas colocadas a 48 lbs podem parecer uma raquete completamente diferente após apenas algumas semanas.
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Por que se perde spin? A morte do snapback
A maior vantagem das cordas poly é o snapback. Quando a bola toca o leito de cordas, as cordas verticais deslizam lateralmente e depois voltam à posição, gerando spin na bola.
Para simplificar: Toque uma corda de violão e ela vibra para frente e para trás. As cordas poly fazem o mesmo quando a bola bate — esse movimento cria o spin. Mas cordas mortas são como uma corda de violão enrolada com fita adesiva — quase não se movem.
Quando o snapback morre:
- Você perde spin. O mesmo swing produz menos topspin, as bolas não mergulham tão acentuadamente.
- Bolas voam longas. Menos spin significa ângulo de lançamento mais alto e mais erros.
- O controle cai. O leito de cordas fica imprevisível.
Cordas mortas podem machucar seu braço?
Aqui a coisa fica séria. Cordas mortas não prejudicam apenas seu jogo — podem machucar você.
Quando as cordas poly perdem elasticidade, perdem a capacidade de absorver impacto. O impacto de cada bola é transmitido diretamente pelo quadro, empunhadura, pulso e até o cotovelo.
Para simplificar: Cordas novas são como um trampolim — amortecem a bola suavemente. Cordas mortas são como um piso de concreto. Cada batida manda um choque direto pelo seu braço.
O cotovelo de tenista (epicondilite lateral) tem muitas causas, mas cordas poly velhas são um fator agravante bem conhecido.
Quando as cordas realmente morrem
É comum ver tabelas por material: "o poliéster dura X horas, o multifilamento Y horas". Mas ao rastrear a origem desses números, geralmente não há nenhuma.
A única referência de tempo que Crawford Lindsey (TWU) dá para o poliéster é que a morte da corda "é geralmente descrita como ocorrendo após 2–20 horas de jogo" — uma convenção relatada, não uma medição própria, e sem distinção por material. Um fator de dez já mostra o quanto esse eixo é grosseiro.
O que de fato foi medido não é o tempo. Quando a equipe de Rod Cross, na Universidade de Sydney, testou 90 cordas em laboratório, morrer revelou-se serem duas mudanças físicas.
- A rigidez perpendicular cai — o tempo de contato aumenta e as bolas saem longas.
- O atrito entre verticais e horizontais sobe — o snapback desaparece, e o efeito junto.
Ambos dependem do número de impactos e da intensidade deles. Uma parte se perde só com o tempo — o creep da tabela acima — mas o que dita a velocidade com que a corda "morre" é o quanto e com que força você bate. Vinte horas de poliéster batido em swing completo e vinte horas de jogo controlado deixam as cordas em estados completamente diferentes.
Portanto, horas são uma referência aproximada, não um padrão. Avalie sua raquete pelos sinais abaixo e registre quando eles aparecem — é assim que você encontra seu próprio intervalo.
*Lindsey C, "How Tennis Strings Go Dead", TWU Learning Center (2013) · Cross R, Lindsey C, Andruczyk D, "Laboratory testing of tennis strings", Sports Engineering 3:219–230 (2000).
Como saber se suas cordas estão mortas?
- Bolas voam mais longe que o normal. Mesmo swing, mais erros — sinal clássico de perda de tensão.
- Menos spin que antes. Golpes com topspin não mergulham como costumavam.
- Desconforto no braço ou cotovelo. Cordas mortas transmitem mais choque ao braço.
- Cordas parecem duras como tábua. O que era responsivo agora está rígido e sem resposta.
- Entalhes profundos nas cordas. Sulcos nas interseções matam o snapback.
Se 2 ou mais se aplicam a você, é hora de encordoar.
Como não perder o momento certo de encordoar?
O maior problema? A maioria dos jogadores não lembra quando encordoou pela última vez. "Quando foi que eu encordoei?" é a pergunta mais comum.
A solução é simples — registre.
- Registre cada data de encordoamento e tensão para descobrir seu ciclo de troca pessoal.
- Deixe um feedback rápido após cada partida — avalie controle, potência, efeito, conforto, sensação e durabilidade para detectar exatamente quando suas cordas começam a morrer.
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