Quando o encordoador pergunta "Quantas libras?", muita gente trava. "Igual da última vez" ou "pode fazer o padrão" são as respostas mais comuns. É natural confiar o trabalho a um encordoador experiente. Mas qual tensão escolher e por quê é algo que você deve saber. Só assim conseguirá comunicar com precisão ao encordoador e manter um setup consistente sempre.
Neste artigo explicamos, com embasamento científico, como a tensão afeta potência, controle, spin e saúde do braço, e como encontrar a tensão ideal para o seu jogo.
Uma raquete fixada na máquina de encordoar. O valor de tensão que o encordoador configura a cada vez reflete diretamente no seu jogo.
O que é tensão?
A tensão é a força com que as cordas estão esticadas dentro do quadro da raquete. É medida em libras (lbs) ou quilogramas (kg), e a maioria das raquetes suporta uma faixa de 40 a 70 lbs. A maioria dos jogadores encorda entre 48 e 60 lbs.
Cada raquete traz no quadro a faixa de tensão recomendada. Se indica "50–60 lbs", por exemplo, você pode escolher dentro dessa faixa de acordo com as características que prefere.
Em termos simples: a tensão é como a elasticidade de um trampolim. Um trampolim muito esticado não faz você saltar alto. Um mais solto deforma bastante e lança você para cima. Com as cordas funciona da mesma forma.
A fórmula meio verdadeira — "Alta = controle, baixa = potência"
A fórmula está correta. Mas se você não entende o porquê, não conseguirá encontrar a tensão certa para o seu jogo.
O conceito-chave é o dwell time: o tempo em que a bola fica em contato com o encordoamento, cerca de 3–5 milissegundos (ms). (Crawford Lindsey, Tennis Warehouse University)
| Tensão | Comportamento das cordas | Resultado |
| Tensão alta | As cordas deformam menos → dwell time mais curto | Menos potência, sensação mais nítida, mais controle |
| Tensão baixa | As cordas deformam mais → dwell time mais longo | Mais potência, sensação mais macia, menos controle |
*A relação entre dwell time e potência é baseada nos estudos da TWU e de Rod Cross (University of Sydney). As diferenças reais variam conforme o material, calibre e rigidez da raquete.
Em termos simples: uma tensão baixa "segura" a bola por mais tempo no encordoamento antes de soltá-la, gerando mais rebote. Uma tensão alta rebate a bola rapidamente, facilitando direcioná-la para onde você quer.
Um ponto importante: a diferença é menor do que se imagina. Numa medição em quadra com 41 jogadores e raquetes a 40, 51 e 62 lb, a diferença de velocidade de rebote entre a menor e a maior tensão — 22 lb de intervalo — foi de cerca de 3%. Entre 40 e 51 lb praticamente não houve diferença (108,1 contra 107,3 km/h). (Bower & Cross, Journal of Sports Sciences, 2005) Exceto em casos extremos, a velocidade do swing influencia a potência muito mais do que a tensão.
O efeito da tensão no spin
Quando se trata de spin, a tensão age de forma diferente. O fator-chave é o snapback: a bola, ao cruzar o encordoamento, desloca as cordas verticais (mains) que depois retornam à posição original, imprimindo rotação à bola.
Tensão baixa → as cordas se movem mais → maior amplitude de snapback → mais spin
Com tensão baixa o efeito snapback é mais pronunciado, favorecendo a geração de spin. Esse efeito é especialmente notável com cordas de poliéster, que têm superfície mais lisa.
Em termos simples: é como rolar uma bola de boliche num piso de madeira em vez de concreto — na superfície mais macia a bola tem mais contato e gira mais. Com tensão baixa (superfície mais flexível), a bola fica em contato por mais tempo e adquire mais rotação.
Tensão recomendada por tipo de corda
A tensão recomendada depende do material da corda. Nos mesmos 55 lbs, poliéster e tripa natural não se parecem em nada.
Mas uma «faixa de tensão recomendada» pertence à raquete, não à corda. O manual da ERSA diz sem rodeios — "The recommended tension range for a racquet will be found in the throat of the racquet because even with the same model, a 4½-inch grip will have a higher recommended tension range than a 4¼-inch grip." (ERSA Study Guide 2017, p.25) A faixa impressa na garganta do quadro é a referência; o material apenas indica para qual extremo pender.
- Poliéster — o mais rígido, portanto a parte baixa. Somar tensão alta a uma corda rígida acumula o impacto.
- Tripa sintética e multifilamento — a faixa do meio. Mais macias que o poly, absorvem bem mesmo um pouco acima.
- Tripa natural — a mais elástica, mantém potência e conforto mesmo no topo.
*A ordem de rigidez segue o guia ERSA (aramida > monofilamento > náilon > tripa natural). A ausência de números absolutos por material é proposital: a faixa recomendada varia por raquete (até pelo tamanho do grip), e um número único por material pode tirá-lo da faixa impressa no seu próprio quadro. O material só define a direção dentro dessa faixa.
O poliéster tem uma rigidez intrínseca elevada: adicionar tensão alta multiplica o choque, aumentando o estresse no braço. Quem prioriza a saúde do braço ou o spin deve optar pela parte inferior da faixa de tensão.
Qual é a tensão certa para mim?
Veja um ponto de partida para cada tipo de jogador.
| Tipo de jogador | Recomendação | Motivo |
| Iniciante com pouca potência | Tensão baixa (parte inferior da faixa) | Aproveitar o rebote das cordas |
| A bola sai longa com frequência | Aumentar a tensão em 2–4 lbs | Melhorar o controle |
| Dor no cotovelo ou pulso | Rumo ao limite inferior da faixa, perto de 45 lbs | Maior absorção de impacto |
| Jogador de spin | Tensão baixa + poliéster | Maximizar o snapback |
| Batedor plano e potente | Tensão média a alta | Sensação nítida e controle |
| Saque e voleio | Tensão média a alta | Prioridade em toque e sensibilidade |
*Os saltos desta tabela são regras práticas de encordoadores, não valores medidos. Use-os como ponto de partida e corrija com os seus próprios registros. Por que 45 lbs é a referência para dor no braço está no guia de cotovelo de tenista.
Essa tabela é apenas um ponto de partida. As diferenças individuais são grandes, por isso é preciso testar e registrar para encontrar a sua tensão ideal.
A tensão não é um valor que se define uma vez e pronto — é algo que você vai ajustando aos poucos. O String GOAT registra a tensão dos verticais e horizontais separadamente, e mostra os valores medidos (tensão absoluta, DT, nota subjetiva) em ordem cronológica. Com base na tensão média dos seus registros acumulados, ele também sugere quantas lbs ajustar nos verticais e horizontais, dependendo se você quer ganhar controle, potência ou conforto.
O efeito da temperatura na tensão
A tensão não é um valor fixo. Quando a temperatura cai, as cordas ficam mais rígidas e jogam mais duras; quando sobe, amaciam. Em laboratório, aquecer as cordas de 0 °C para 40 °C reduziu a rigidez do plano de cordas em em 3–19% em seis das sete cordas, enquanto uma ficou 2% mais rígida. Os autores concluem que, na rigidez, tripa e náilon reagem mais à temperatura do que poliéster e kevlar (Lindsey & Cross, 2016).
Em termos simples: é como um elástico que no frio fica duro e quase não estica. As cordas também — no frio, o movimento molecular do polímero desacelera e elas ficam mais rígidas.
- Inverno ao ar livre (abaixo de 10 °C): considere encordoar mais baixo do que o habitual
- Verão ao ar livre (acima de 30 °C): encordoe mais alto do que o habitual ou mantenha
- Quadras cobertas: a temperatura é constante, sem necessidade de ajuste
De quanto ajustar nunca foi medido. O que o laboratório mediu foi uma variação de rigidez, não uma conversão em libras. Números como 2–3 lbs circulam bastante, mas são tradição do setor, não resultado experimental. O único jeito de achar o seu número é registrar seus encordoamentos ao longo das estações e quadras.
Jogadores profissionais ajustam esses detalhes com precisão, mas para amadores basta ter consciência do efeito da temperatura para entender "por que hoje a bola parece diferente".
Por que é importante registrar a tensão
O maior problema é não lembrar da tensão. Quando foi a última vez que encordoou? Quantas libras? A sensação foi boa ou ruim? A maioria das pessoas simplesmente não lembra.
São muitas variáveis em jogo. Mesmo com os mesmos 55 lbs:
- Um tipo de corda diferente dá uma sensação completamente diferente
- Mesmo entre poliésteres, elasticidade e rigidez variam de marca para marca e de modelo para modelo
- Com um híbrido (cordas diferentes nos verticais e horizontais), considerando cerca de 300 cordas no mercado, as permutações chegam perto de 90.000 — a variação percebida é máxima mesmo na mesma tensão
- Com um tamanho de cabeça diferente, a percepção muda (na mesma tensão, uma cabeça maior parece mais macia)
- As condições climáticas afetam a percepção
- O equipamento e a técnica do encordoador podem fazer a tensão real variar
*Baseado em aproximadamente 300 cordas de tênis disponíveis no mercado mundial; combinações ordenadas verticais/horizontais: 300×299 = 89.700. Incluindo variações de calibre, ultrapassa centenas de milhares.
Considerando todas essas variáveis, o registro é indispensável para encontrar sua tensão ideal com base em dados. Registrando sistematicamente, você descobrirá sua fórmula pessoal: "com esta corda, nesta raquete, nestas condições, 52 lbs é meu número ideal".
Com o app String GOAT, você registra tensão, tipo de corda, data e condições climáticas em 30 segundos — e depois de jogar, deixa um feedback sobre potência, controle, efeito, conforto, sensação e durabilidade. A IA analisa os padrões para você. É o caminho mais rápido para encontrar sua tensão ideal.